Resenha: A Sociedade Supersecreta De Bruxas Rebeldes
A Sociedade Supersecreta De Bruxas Rebeldes
Sinopse: Uma das poucas bruxas na Grã-Bretanha, Mika Moon precisa seguir três regras: esconder sua magia, viver de maneira discreta e se manter distante de outras bruxas para que seus poderes não se misturem e causem algum acidente mágico. Como uma órfã que perdeu os pais muito cedo e foi criada por uma figura austera e rigorosa, Mika está acostumada a viver sozinha. E a seguir regras. Todas elas. Com uma exceção: os vídeos que publica on-line ‘fingindo’ ser bruxa. Afinal, ninguém levaria a sério, né?
Mas, então, Mika recebe uma mensagem inusitada implorando que ela viaje até onde Merlim perdeu as barbas para ensinar três jovens bruxas a dominar a própria magia. Contrariando as regras e o bom-senso, Mika decide ir e logo se vê envolvida não só com as crianças, mas com os peculiares moradores da Casa de Lugar Nenhum: um anfitrião irreverente e seu marido adorável, uma governanta encantadora e um bibliotecário “gato”. Quer dizer, chato.Conforme Mika conquista seu lugar na Casa de Lugar Nenhum, a ideia de ter uma família, um lar, de repente parece possível. No entanto, a magia não é o único perigo no mundo, e quando uma ameaça bate à porta, a jovem precisará decidir se vale a pena arriscar tudo para proteger uma família que nem sabia que procurava.”
“Alguns livros não chegam para mudar a sua vida, mas para aquecê-la como um abraço em dia frio. Esse é exatamente o caso de A Sociedade Supersecreta de Bruxas Rebeldes, de Sangu Mandanna.”
Neste livro, acompanhamos Mika Moon, uma bruxa de trinta e um anos que sempre viveu à margem, solitária e acostumada a seguir regras rígidas: nunca revelar sua magia, nunca chamar atenção e, principalmente, nunca conviver com outras bruxas. Órfã desde cedo e criada por uma figura distante e e rija, Mika cresceu a acreditar que não tinha espaço para pertencer a nenhum lugar. Sua vida era marcada pelo isolamento, até que ela encontra uma maneira divertida (e um pouco imprudente) de expressar quem é: um canal online onde “finge” ser bruxa, compartilhando feitiços e poções como se fossem pura encenação.
É justamente esse detalhe que a coloca no caminho da mudança. Um dia, Mika recebe um pedido inesperado: viajar até uma mansão escondida, chamada Casa de Lugar Nenhum, para ensinar três jovens bruxas a controlar seus poderes. A princípio, a proposta parece absurda, até perigosa. Mas, movida pela curiosidade e pela necessidade de conexão, ela aceita o desafio.
Ao chegar lá, Mika não encontra apenas três meninas encantadoras e travessas, mas também um lar improvisado e uma família incomum: Ian, o anfitrião carismático; Ken, seu marido doce e equilibrado; Lucie, a governanta de coração generoso; e Jaime, o bibliotecário rabugento que, apesar do jeito fechado, logo desperta nela sentimentos inesperados.
O ponto mais bonito da narrativa é a transformação de Mika. De uma mulher acostumada a se proteger e a não se apegar a ninguém, ela passa a descobrir o valor do afeto, da amizade e da sensação de pertencimento. O livro aborda temas como solidão, confiança, aceitação e amor, de forma leve e acolhedora, sem deixar de emocionar. Além disso, a relação entre as crianças e Mika é um dos aspetos mais encantadores , cheia de humor, ternura e pequenas lições sobre família e responsabilidade.
Embora o romance entre Mika e Jaime exista, ele não é o centro da historia. Surge aos poucos, de forma delicada, como um tempero a mais em uma história que já é rica por si só. O verdadeiro coração do livro está na construção dessa família improvável e na mensagem de que sempre existe um lugar para quem ousa se abrir para os outros.
O ritmo da narrativa é sereno, típico das chamadas cozy fantasies, histórias de fantasia que priorizam o aconchego, o cotidiano mágico e os laços humanos em vez de grandes batalhas ou reviravoltas explosivas. Para alguns, pode soar previsível; para outros, é justamente esse clima confortável que faz a obra tão especial.
No fim, A Sociedade Supersecreta de Bruxas Rebeldes é um convite à magia que existe nas pequenas coisas: no cuidado, no riso compartilhado e na coragem de amar. É o tipo de livro perfeito para ler com uma xícara de chá ao lado, dando-se a liberdade de se deixar levar por uma narrativa doce e inspiradora.
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